Local reservado a partilha de ideias mais ou menos brilhantes. (magnoliano2@hotmail.com)

21.4.04

Exercício sobre o Espaço Digital II

Uma cidade digital: Bragança




O sentido de cidade – se este realmente existe – tem vindo a sofrer, desde a sua génese, uma série de mutações e ramificações. Obter uma definição consensual de cidade é, aliás, uma utopia.

Se havia um significado maioritariamente aceite de cidade há bem pouco tempo - o de que esta constituía um espaço geográfico no qual se estabelecia a superestrutura político-administrativa de uma sociedade -, actualmente a questão não é assim tão linear.

Com a chegada da Internet, houve uma necessidade das cidades ultrapassarem a ideia de espaço físico e, por isso, de serem repensadas e reformuladas nas suas funções de servirem os seus habitantes. Portugal não escapou a este fenómeno das cidades digitais.

Partindo, assim, da pesquisa e da análise de sítios na Internet dedicados à cidade de Bragança, procurámos compreender de que modo é que esta cidade cumpre os requisitos de cidade digital, segundo o pressuposto de José Carlos Mamede que dita a cidade digital como “uma rede de informação e comunicação constituída por computadores, linhas telefónicas e conexões eletrónico-digitais que interliga cidadãos, sectores públicos e privados em uma localidade de características sócio-política, económica e cultural”.

A viagem começa. Bragança-virtual avista-se.



Envolta em lendas cujos vestígios remontam já à época pré-histórica e lhe
conferem um particular carácter de mistério, Bragança, capital do distrito com
o mesmo nome, tem os seus mais recônditos primórdios no sec. XII.
Em 1187 D. Sancho I concedeu-lhe foral.


(in Portal do Distrito de Bragança http://www.bragancanet.pt/)


1ª paragem: Câmara Municipal de Bragança http://www.cm-braganca.pt/

2ª paragem: Bragança Digital http://www.braganca-digital.pt/

3ª paragem: Instituto Politécnico de Bragança http://www.ipb.pt/

4ª paragem: Bragança Comunidade Digital http://www.bcd.pt/index.php




Outras paragens:

Mensageiro de Bragança http://www.mensageiro-de-braganca.pt/

Grupo Desportivo Bragança http://www.gdbraganca.com/

Bragança blog http://braganca.blogs.sapo.pt/

Governo Civil de Bragança http://gcivilbraganca.cidadevirtual.pt/

Rádio Bragança http://www.rba.pt/

Escola Superior Agrária de Bragança http://www.esa.ipb.pt/


Concluímos então que, entrando pelo Google em Bragança, temos acesso a várias e variadas Braganças-virtuais em crescimento, onde a informação detalhada se sobrepõe à interacção bilateral e à discussão. Daí, considerarmos que Bragança ainda não é uma cidade digital no sentido retratado por Mamede. Está lá a chegar.

Tiago Carvalho


24.1.04

LISTA

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25.12.03

Um bom Natal para quem ainda acredita nele...

Para quem não acredita, um bom dia!

9.12.03

ALLA POLACCA + STOWAWAYS / WHY NOT YOU?

(já disponível em Bodyspace)

Chama-se Rosa. Tem vinte e oito anos e, qual Mouchette do filme de Robert Bresson, o seu olhar era dos mais tristes que tinha visto. Nunca conhecera o amor. Um dia, ao abrir a caixa de correio, no meio da parafernália de livrinhos de publicidade a tudo e mais alguma coisa – de nenucos a telemóveis, de vibradores a caixas de chocolate chique –, surgiu-lhe, aos seus olhos tristes, uma pequena caixa de cartão, diferente de todas as outras papeladas vulgares e cheias de números. Nesta se inscrevia uma frase emblemática: «We have made thousands of lonely people happy: Why not you?» a letras carregadíssimas de preto. Do lado oposto da caixa, um cupão pedia dados pessoais - endereço, peso, altura, profissão, entre outros atributos. Um cupão para a felicidade - o que Rosa sempre desejou mas que sempre lhe pareceu longe - chegara às suas mãos.

Subiu as escadas do apartamento. O elevador encontrava-se estragado de velho. Contava cinco anos mais do que a triste Rosa. Teria deixado de transportar inquilinos desde o ano passado. Tinha sido botado ao abandono, à solidão. Às vezes, quando Rosa se sentia só, chorava com ele. Depois de se fechar no seu cubículo, finalmente abriu a caixa de cartão. Uma pequena rodela de música como primeira oferta de algumas que a instituição - que teria deixado misteriosamente a caixa no seu correio - disponibilizaria no seu trajecto para a felicidade: era essa a surpresa. Parecia, no entanto, haver espaço para mais uma rodela.

«Alla Polacca». Era esse o nome inscrito na parte superior da rodela que recebera. Um sonho, pensou ela. Pô-la a tocar. O primeiro tema fê-la flutuar. Rosa acreditou ver ao longe a fada boa do Coração Selvagem, de David Lynch. Dos seus lábios parece ter visto cair três palavras curtas, numa voz pouco nítida: qualquer coisa como «it will come». De repente, desapareceu. «D-Floated», o estado-limbo para o sono de Rosa, deu lugar a «Secret Satellite». Pareceu escutar a Islândia dos Sigur Rós que, aliás, a acompanhara desde o piano inicial da flutuação. Esperança num flash, visionou ela. Música bonita – por vezes excessivamente bonita – mas quase sempre triste, como ela. Ironicamente, sentir-se-ia melhor assim. Quem a espreitasse da janela do prédio da frente, facilmente se aperceberia de uma qualquer mudança na sua face. Ouviria também pianos, guitarras ora melodiosas e melosas ora em crescendo para um final em jeito de epifania. A voz, essa, não era nem de homem nem de mulher. Vivia na ambiguidade, como as palavras da fada boa. O final de «Fake Blue» comovera Rosa. Era mágico. Parecia querer expandir-se para junto das estrelas. Parecia querer revelar-lhe algo, um futuro grande, uma porta para uma nova Rosa.

De súbito, o mundo pareceu-lhe um bombom pop. «Wrong Like Us» foi servido em breves minutos como um cruzamento distorcido entre a doçura inicial de uns Pavement e o desespero final de uns Joy Division a brincar com as guitarras eléctricas de uns Sonic Youth. O assobio que se ouvia ao fundo foi se desvanecendo. Pela primeira vez na viagem voltou a sentir o desconforto e o desespero de um ser habituado a viver em solidão. O que à primeira audição lhe pareceu aborrecido e igual ao anterior, passou a ter cada vez mais encanto. Tirando um ou outro momento bem inspirado mas pouco Alla Polacca – os fantasmas Mogwai, Sigur Rós, Grandaddy e Smashing Pumpkins pairam algumas vezes na audição e a saturação de alguns momentos, por vezes, levam Rosa ao bocejo -, a rodela começa, paulatinamente, a fazer esboçar um sorriso tímido no rosto de Rosa, qual Claudia na cena final de Magnólia, filme de Paul Thomas Anderson. Pássaros ouvem-se ao fundo, por detrás do piano e das guitarras em delírio. «It will come soon» anuncia o final de «Morning Vs Jupiter».

No preciso momento em que Rosa se deleita no sofá a ouvir «Astray», numa pequena vila a quarenta e sete quilómetros da cidade impessoal por onde Rosa deambula quando a solidão aperta, Alferes, quarenta e dois anos, camionista de serviço de uma companhia de transporte de gás, estaciona o seu veículo em frente à vivenda onde mora com os pais reformados. Quem abre a porta é a sua mãe, com correspondência na mão. Entre cartas do banco, uma caixa castanha. Ao ler as dezenas de caracteres que se tornavam disponíveis aos seus olhos cansados, Alferes centrou-se num parágrafo particular: «Are you lonely? (...) Find yourself a sweetheart through the country’s foremost select social correspondence club». Uma rodela dentro dizia «Stowaways».

Em pouco mais de meia hora ouviu diversidade em sons e uma grande sensibilidade e capacidade de fazer boa pop. Apaixonou-se. Atirou o cansaço para trás de si. Saltou e dançou ao som dos Balcãs que no segundo seguinte já era música das arábias e nos dois segundos imediatos era valsa e simultaneamente rock. Ouve o majestoso contributo de Elísio Donas, ex-Ornatos Violeta, num dos melhores momentos do ano no que toca à cançoneta nacional, «Bed Bugs». Depois do poppy «The Room Upstairs» à la Grant-Lee Phillips, Alferes escuta a delicadeza acústica de «Boogie List» que, apesar de interessante, não consegue disfarçar o fascínio dos Stowaways pelo repertório dos Radiohead. O facto da voz dos Stowaways não se demarcar grandemente da de Thom Yorke também não ajudará a espantar o fantasma. No entanto, Alferes dá-lhe uma oportunidade porque lhe parece que há futuro ali, tal como na sua vida. Até tempo lhe deu para se deitar no sofá, com um copo de whisky na mão, a escutar relaxadamente os ritmos quentes da bossanova quando «Chimney-Sweeper» e «Rented body» rodam na aparelhagem. Ainda há um momento para avacalhar quando o ye-ye «Your Prop» se faz ouvir. Alferes parece ver uma luz. Não compreende o porquê desta dádiva. Questiona-a enquanto ouve uma caixinha de música que o remete para a sua felicidade na sua infância distante, «Giants Of The Mountain». Parece ouvir os Doors em versão indie. No último tema da rodela, «Amputed Leg», há o tropicalismo samba do Brasil a conviver com as guitarras de um «Can’t Stand It» dos Wilco. Alferes sorri, ao mesmo tempo que se rebola no chão. Os Stowaways ofereceram-lhe algo eficazmente dócil para os ouvidos, fresco para a alma.

Rosa preenchia o cartão com os seus dados pessoais nesse mesmo instante em que a rodela dos Stowaways pára. Alferes fê-lo minutos depois. Dias depois, as rodelas tornavam-se vizinhas dentro de uma mesma caixa.

Tiago Carvalho

Há vida por aqui...

6.12.03

ATIREM-ME VASOS

Encontra-se, finalmente, desde hoje disponível o sistema de comentários do Labirinto de Ideias.
Finalmente, poder-me-ão atirar vasos. Com flores, com água, com pedras.

Aceitam-se opiniões. Sentem-se, por favor. A discussão vão começar.


Por falar em «Mysteries Of love»:




Sometimes a wind blows
And you and i
Float
In love
And kiss
Forever
In a darkness
And the mysteries
Of love
Come clear
And dance
In light
In you
In me
And show
That we
Are love

Sometimes a wind blows
And the mysteries of love
Come clear.



[Letra: David Lynch
Música: Angelo Badalamenti
Intérprete: Julee Cruise
Álbum: Floating Into The Night, 1989]


Há:
um trapo em cada um de nós...
Nós de um cada em trapo um há...
Vivemos às avessas, com os pés despidos
quando em botas pensamos viver
Vivemos a pensar... na morte.
Ah, morte!

Há:
ratazanas a roerem-nos as botas
a lamberem-nos os dedos dos pés...
a sugarem-nos os pés, a deixarem-nos em osso
Pés em osso, esqueleto, vazio.
No fundo, a essência.
A essência, no fundo, se faz favor.

«Faz-me um desenho para te perceber», diz ela.
Traço um homem triste. Este sou eu!
Não há muito para desvendar.
Se tiveres uma borracha à mão, vou-me de vez.
Como os ossos que a ratazana desconcha...

Já não sou ninguém.


NOTÍCIA: Faithfull chama Nick Cave

Nick Cave, que no próximo mês de Fevereiro actua no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, é um dos convidados em "The Mystery of Love", o novo disco de Marianne Faithfull.
De acordo com o Undercover, o australiano escreveu três canções para a intérprete gravar no seu próximo trabalho, dispensando também os préstimos da banda que geralmente o acompanha, os Bad Seeds. O grupo secunda Marianne Faithfull nas canções compostas por Nick Cave para o álbum, previsto para Março.
Outro dos atractivos em "The Mystery of Love" é PJ Harvey, co-autora de cinco músicas do disco, e Damon Albarn, dos Blur, que ajudou Marianne Faithfull a compor uma faixa.
Esta é a segunda colaboração entre a cantora e os Blur, que podiam já ser ouvidos em "Kissin Time", álbum de Marianne Faithfull em 2002. Beck, Billy Corgan e Jarvis Cocker foram os restantes convidados de então.


Lia Pereira in Cotonete


Uma das melhores e mais agradáveis notícias do ano... Polly Jean Harvey, Nick Cave e Damon Albarn com Faithfull? Que mais se poderia desejar? Aguardemos o álbum com grandes expectativas...

3.12.03

ALGUNS SONS DOS ÚLTIMOS DIAS

«Why Not You?», Alla Polacca + Stowaways
«Don't», Vista Le Vie
«Yes», Morphine
«You Are Free», Cat Power
«Mixed At Sonar», Laurent Garnier
«O Futuro Só se Diz Em Particular», Mola Dudle
«Product», Sumugan Sivanesan + Durán Vázquez


ALGUNS FILMES

Mouchette - Amor e Morte, Robert Bresson
Alemanha, Ano Zero, Roberto Rossellini
Amarcord, Federico Fellini
Inadaptado, Spike Jonze
Elephant, Gus Van Sant
Berlin, A sinfonia de uma Cidade, Walter Ruttmann

UMA SÉRIE

Twin Peaks, David Lynch & Mark Frost

1.12.03

MARI BOINE AO RUBRO EM AVEIRO



Ontem, esta senhora, de origem norueguesa, e a sua banda legislaram. Na última noite do Festival Sons Em Trânsito, em Aveiro, o Teatro Aveirense recebeu um espectáculo hipnotizante, ritmado q.b. e repleto de momentos intimistas.

Em breve, reportagem no Bodyspace

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